21 Fevereiro 2012
Diocese de Aveiro Online
20 Fevereiro 2012
Conferências Quaresmais do Arciprestado de Cantanhede e Mira
Concílio Vaticano II: Fundamentos, Perspectivas e Criatividades
…nos 50 anos da sua convocação
Local: Centro Paroquial de Cantanhede (junto aos Bombeiros Voluntários)
Hora: 21h00 (durante todas as sextas-feiras da Quaresma)
Organização: Equipa de Presbíteros do Arciprestado de Cantanhede e Mira
Dia 24 de Fevereiro
Caminhos sonhados, partilhas e itinerâncias: o contexto da convocação do Concílio e as suas implicações.
D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro
Luís Umbelino, professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Dia 2 de Março
Palavra criadora e criativa: o contexto da 'Dei Verbum'.
D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra
Dia 9 de Março
Celebrar a identidade, a memória e o projeto sonhados, partilhas e itinerância: o contexto da 'Sacrossantum Concilium'.
Luís Manuel Pereira da Silva, pároco da Sé Patriarcal de Lisboa e professor de Liturgia na Universidade Católica de Lisboa
João Norton, padre jesuíta e arquitecto
Dia 16 de Março
Igreja e Cultura, gramática para um encontro: o contexto da 'Gaudium et Spes'.
D. Manuel Clemente, bispo do Porto
António Marujo, jornalista do jornal Público
Dia 23 de Março
Igreja e comunidade, entre o templo e a(s) pessoa(s): o contexto da 'Lumen Gentium'.
Juan Ambrósio, professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa - Lisboa
José Manuel Nunes, provincial dominicano e professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa – Lisboa
Dia 30 de Março
Caminhos não andados, entre a identidade e o novo: o 'Concílio por fazer' e o que (ainda) tem de ser feito.
João Duque, professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa. Diretor do Pólo de Braga da UCP.
Isabel Allegro de Magalhães, responsável do GRAAL e professora de literatura na Universidade Nova de Lisboa
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18 Fevereiro 2012
Política e ética
Quando se pergunta: o que é o Homem?, as tentativas de resposta foram múltiplas ao longo dos tempos. Mas lá está, essencial, a de Aristóteles: um animal que fala, que tem logos, um animal político.
O ser humano é constitutivamente um ser social. Fazemo-nos uns aos outros, genética e culturalmente. Procedemos de humanos e tornamo-nos humanos com outros seres humanos. A relação entre humanos não é algo de acrescentado ao ser humano já feito: pelo contrário, constitui-nos. A prova está nos chamados meninos-lobo: tinham a possibilidade de tornar-se humanos, mas, sem o contacto com outros humanos, não acederam à humanidade. É isso: somos humanos entre humanos e com humanos. Apesar da experiência, que também fazemos, da solidão metafísica - cada um é ele, ela, de modo único e intransferível -, não há dúvida de que só na relação nos fazemos. O individualismo atomista contradiz a humanidade que somos.
Sobre este fundo, concretizando, podemos perguntar: como poderíamos realizar a nossa humanidade, em todas as suas possibilidades, sem a cooperação de todos? Este texto, por exemplo, implica a presença de uma língua que eu não criei, um conjunto de referências culturais com que fui dialogando, foi enviado por e-mail, alguém tratou dele e o publicou e depois o distribuiu... Uma rede incalculável de relações, umas conhecidas e outras não. Se pensarmos bem, estamos unidos com todos, nesta pequena aldeia, que é o nosso planeta, incluindo os do passado, que nos permitiram chegar até onde nos encontramos, com telecomunicações, automóveis, electricidade, aviões, televisão, internet e o mundo todo das ideias e os seus debates... Até quando tomo o pequeno-almoço, penso nisso: naqueles que, lá longe, colheram o café e o transportaram e o preparam.
O que somos somo-lo na cooperação de muitos, de todos. Isto é a sociedade, no quadro de divisão de trabalhos, de carismas, de esforços em comum.
Mas, aqui, surge o busílis da questão: quem manda? É o tremendo problema do poder. Porque - não se pode ser ingénuo - onde há muita gente, alguém tem de comandar. Ora, se todos fossem bons, generosos, numa palavra, éticos, esta magna questão não seria questão, pois apenas teríamos necessidade de alguém que coordenasse os esforços, as tarefas, os carismas. Todos obedeceriam às normas, ninguém transgrediria, não haveria clientelismos nem salários escandalosos, todos procurariam o maior bem de todos. Como é sabido, de facto não é assim.
Se todos fossem éticos, não seria necessária a política no sentido estrito da palavra: tomada e organização do poder no quadro do Estado que detém o monopólio da violência. Na realidade, nos seres humanos, há bondade e maldade, alguns ou muitos são preguiçosos e querem viver à custa dos outros, há os ladrões, os corruptos e os corruptores, os violentos, e somos todos interesseiros e egoístas. E lá está a política como arte de congregar esforços para o bem comum, no quadro de leis que devem ser justas e equitativas e no sentido de harmonizar interesses, na paz possível, evitando a violência.
A política não tem por finalidade tornar os homens moralmente bons, muito menos, santos - é necessária, precisamente porque não somos éticos. Aqui, ergue-se o paradoxo: não há política ética, o que há são homens e mulheres éticos ou não na política. Como também os políticos são homens e mulheres, com virtudes e vícios, a política é um exercício complexo e sempre instável, exigindo um aperfeiçoamento constante. De facto, o que se passa, quando a política fica subordinada ao poder económico e financeiro? Ou se se der uma cartelização dos partidos?
Quando se olha para o presente estado de coisas, percebe-se que a própria democracia não é uma aquisição definitiva. Então, o que falta no meio do deserto ético? Precisamente a conversão ética, porque a multiplicação de leis e a sua sanção acabam por levar a um labirinto sem saída. Mas, desgraçadamente, as instituições mais responsáveis pela transmissão dos valores éticos estão a abrir falência: a família, a escola, a Igreja. A situação pode tornar-se explosiva.
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Tempo é dinheiro...
"Tempo é dinheiro" diz o ditado popular, e na escola disseram-nos que o dinheiro é "o instrumento geral de troca", qualquer coisa é mercadoria e se compra ou vende e assim se faz funcionar o mercado.
Até Jesus Cristo foi vendido por 30 dinheiros! Antes disso teve ele próprio um desacato com cambistas, além da vez em que o quiseram embaraçar sem sucesso ao considerar as duas faces da moeda dizendo que devíamos dar a Deus o que é de Deus e a César o que lhe pertence. Sempre omnipresente o deus – (…)
Trago à memória a passagem do Evangelho do S. Lucas (capítulo 18, versículos 10-14): "Subiram dois homens ao templo para orar; um era fariseu, o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado".
Tem-se dito e repetido a propósito de uma desgraça comum: " nós não somos a Grécia ou como a Grécia" (e andamos a estudar a nossa genealogia cultural, investigando Platão e Aristóteles, Eurípedes e Homero, Xenofonte…).
Compreendo a intenção: não somos tão frágeis como os gregos nesta altura. Mas, com outra frieza crítica, a avaliação ganha o maior sentido de se apontar a dedo um inferior, sem lhe dar a mão, recusando-lhe a entreajuda da família europeia. É uma hierarquia estabelecida não por motivos de solidariedade; é uma medida higiénica de autodefesa: não somos leprosos… Defendamo-nos do contágio. E lá surge a reedição das figuras bíblicas: nós, não somos como quem está lá ao fundo; pagamos a quem nos emprestou; somos ordeiros; não gastamos o tempo nas esplanadas, nas praias, nos divertimentos noturnos. Somos de uma outra cultura. Sobretudo, de um outro porte.
E os publicanos nem sequer tempo têm para pedir socorro. Os portugueses falantes não deixam mais ninguém expressar-se. Não há defesa.
Releve-se-me o excessivo. Mas há um fariseiísmo na importância da nossa pequenez. Comparar-se com quem está caído só pode ter uma missão: o de apoiá-lo a subir na vida, com a dignidade de o vermos ultrapassar-nos! Essa era e é a cultura, vertida na belíssima oração de Paulo VI: "Pela nossa e por todas as outras Pátrias!".
MDN – Capelania Mor, 17 de Fevereiro de 2012
Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança
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16 Fevereiro 2012
FAZEMOS PARTE DESTA FAMÍLIA - SDPJV


«FÉ CRISTÃ E RELIGIOSIDADE POPULAR»
«FÉ CRISTÃ E RELIGIOSIDADE POPULAR»
- Desafios para a nova evangelização -
Atento à necessidade formativa de todos os Agentes de Pastoral, especialmente daqueles cuja missão se desenvolve no âmbito da evangelização, o ISCRA vai dar início ao Curso Livre V, que decorrerá de
08 de Março a 10 de Maio 2012.
Desta vez o tema de estudo é sobre a Religiosidade Popular, como pano de fundo para a reflexão sobre a Fé Cristã e os desafios que daí advêm para uma nova evangelização.
Este curso terá como orientador o
Pe. Doutor Georgino Rocha, pastoralista e professor do ISCRA.
Tal como os anteriores, este curso dirige-se a todos os agentes de pastoral, de modo especial aos que se dedicam à missão evangelizadora (catequistas, animadores de jovens e adultos, equipas de liturgia, animadores bíblicos, etc.), mas está aberto também a qualquer pessoa que manifeste interesse em nele participar.
A entrada para os 8 encontros de formação, que decorrerão
à quinta-feira no Salão do Seminário Diocesano de Aveiro, às 21h, é livre e gratuita.
12 Fevereiro 2012
Deus e a pergunta final
10 Fevereiro 2012
Fátima, 18 de Maio de 2012 - 1.ºciclo - interescolas
Programa
09.30h - Acolhimento
* CENTRO PAULO VI
11.30h - Celebração
*IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
13.00h - Almoço (pic-nic)
14.30h - Animação Cultural
*Centro Pastoral Paulo VI
* Musical Infantil: “O Feitiço da lua”
pelo grupo de Teatro “Espelho Magico”
16.30h - Despedida
Pretendemos
1. Valorizar a importância da EMRC na formação
integral da pessoa.
2. Motivar as crianças a viver o Amor na família e na
escola.
3. Celebrar o Amor de Jesus.
4. Aprender com Maria o valor do Sim.
Deus não cabe nas nossas fronteiras
Não podes fazer Deus católico, Deus está para lá das fronteiras e delimitações que construímos. Ele não se deixa dominar nem domesticar.
Card. Carlo Maria Martini
09 Fevereiro 2012
Encontro de Quaresma - Sábado 25 Fev 2012 | CUFC
Encontro de Quaresma.
Participação aberta....
Será no dia 25 de fevereiro, no CUFC. A reflexão da manhã, entre as 9h30m e as 12h30, será orientada pelo P GonçaloCastro Fonseca S.J. que nos vem ajudar a reflectir sobre “Formar a Consciência”. Como de costume, está aberto a todos os professores cristãos que queiram participar.
De tarde, entre as 14h e as 15h30,só para os professores de EMRC, teremos uma pequena reunião com a seguinteordem de trabalhos:
1 – Notíciasdo SNEC e do SDERE
2 –Inter-Escolas Diocesano
3 –Caminhada e Festa da Família
4 –Preparação do Jubileu da Diocese (já enviei projeto por mail)
5 –Actividades organizadas pelo ISCRA
6 –Outros assuntos
31 Janeiro 2012
Os fantásticos livros voadores
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios on Vimeo.
Formação EMRC Fátima - Identidade e Liderança
mais em
http://www.educris.com/v2/emrc/1356-formacao-e-urgente-uma-reflexao-profunda-sobre-a-identidade-da-disciplina
30 Janeiro 2012
Concurso «Que bom é ter uma Família!».
28 Janeiro 2012
27 Janeiro 2012
Emrc em formação
Reunidos cerca de 90 professores de emrc em Fátima para receber formação sobre a descoberta de novos caminhos e assumir a nossa vocação e missão. A Diocese de Aveiro participa com 5 participantes.
Bem haja a este projecto.
22 Janeiro 2012
QUE FAZER PARA VENCER A CRISE?
QUE FAZER PARA VENCER A CRISE?
Frei Bento Domingues, O.P.
1. Face à desesperante situação de crise actual, pergunta-se com frequência: que podem fazer as religiões, os cristãos, os católicos? Não se dispondo de nenhuma resposta pronta a servir, essa questão obriga-nos a renovar a ética da escuta multilateral. Além do clamor dos pobres e empobrecidos, existem, também, estudos e debates, pró e contra, sobre o papel da religião na esfera pública. [i]
O pensamento liberal surgiu a fundamentar a resposta dada às cruentas guerras de religião que assolaram a Europa no século XVII. Ideias como tolerância, separação entre poder terreno e espiritual, liberdade de religião, foram cimentando um projecto teórico que fazia do respeito pelos direitos naturais e a consciência do indivíduo, a base da convivência social e o único modo de conseguir a paz.
Hoje, continua a polémica entre os defensores da tradição liberal, que tendem a situar a religião no âmbito da privacidade - restringindo, na medida do possível, a sua influência na esfera pública – e os autores que procuram reabilitar o papel da religião, nesse contexto. É impossível desenvolver aqui os argumentos e as teses principais que se defrontam. Prefiro a posição de Habermas: os grupos que constituem a sociedade civil, entre os quais se encontram as igrejas, têm como missão fazer chegar ao domínio institucional os problemas da sociedade, para que este lhes dê solução.
Não está encerrada a filosofia da história que pretendia que o progresso acabaria com a religião. Com o passar do tempo, foi revalorizada a importância das motivações e funções sociais da religião, que nenhuma ética racional pode substituir. No entanto, a religião tende a ocupar um lugar residual e periférico, provisório e constantemente ameaçado pela ciência e pelo pensamento filosófico, grandes instâncias da modernidade.
2. Segundo os textos do Novo Testamento, Jesus nunca pretendeu a confessionalidade do Estado. Ficou célebre, e é muito repetida, a sentença «dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César». Também seria difícil encontrar, na boca de Jesus, um programa de governo que se ocupasse, tecnicamente, da agricultura, das pescas, da indústria, do comércio, da saúde e da assistência, etc., ou que fornecesse indicações acerca da organização de um partido ou de um sindicato. No entanto, a sua intervenção foi pública e, sem desenhar alternativas em qualquer desses sectores da vida em sociedade, pôs tudo em causa a partir de um questionamento no campo da religião oficial: «O sábado foi feito para o ser humano e não o ser humano para o sábado» (Mc. 2, 27). Formulou, assim, uma religião humanista. O Deus com quem Jesus vive impele-o a servir os seres humanos. A rivalidade entre o humano e o divino foi destruída. O próprio Jesus é chamado o Emmanuel, o Deus connosco. Jesus deixa todo o espaço livre para a invenção e alteração das sociedades. Só há um absoluto: que tudo seja colocado ao serviço dos seres humanos e eles se coloquem ao serviço uns dos outros. Quais poderão ser as consequências para enfrentar agora a crise do País, da Europa, do Mundo?
A resposta não está pronta em nenhuma página dos Evangelhos. Os cristãos terão de encontrar, em cada época e em cada cultura, a resposta mais adequada, sem garantias divinas. Cada um andará com Deus por sua conta e risco.
3. Os católicos dispõem da chamada Doutrina Social da Igreja que recolhe o ensino dos Papas, desde Leão XIII até Bento XVI, passando pelo Vaticano II e por um conjunto de pensadores do social, como lhes chama e apresenta Yves Calvez.
Que fazer com esse conjunto doutrinal e com todas as experiências no mundo do trabalho e da investigação? Não seria desejável pensar em governos e partidos católicos, como governos e partidos confessionais. Não adianta imitar os países muçulmanos. Na Igreja Católica existe a liberdade de escolha política e democracia, pouco respeitada nas suas instituições, mas vivamente recomendada na sociedade. Os limites são de carácter ético em questões extremas.
Dir-se-á que os resultados práticos não são muito brilhantes. Cada pessoa e cada grupo tende a chamar para as suas opções o patrocínio dessa importante doutrina social. Parece que há textos para todos os gostos e cada um poderá fazer com eles o que bem entender. Bendita liberdade, mas talvez se possa conversar sobre isso. A partir do Vaticano II foi promovido o diálogo inter-religioso, foi intensificado o diálogo ecuménico e enquanto Igreja no mundo contemporâneo é constantemente impelida a fazer a leitura dos sinais dos tempos. Temos de nos regozijar com esses frutos do Vaticano II. Mas apetece-me perguntar: para quando o diálogo entre movimentos católicos, paróquias e dioceses, a nível local e nacional, sobre formas concretas de vencer esta crise que torna o presente doloroso e não abre o futuro? Se todos nós somos igreja, se somos confrontados com os ensinamentos da sua doutrina social, é preciso testá-la, com o contributo de todos, perante os desafios desta conjuntura.
Há muita coisa a fazer para vencer a crise. Não esqueçamos esta.
1 Jürgen Habermas, Charles Taylor, e outros, El Poder de la religión en la esfera pública, Trotta, Madrid, 2009; Pedro Jesús Pérez Zafrilla, Aproximación a la controversia entre defensores y detractores de la religión en la vida pública, Estudios Filosóficos LX (2001) 293-310; Juan Antonio Estrada, Por una ética sin teología, Trotta, Madrid, 2004
in Jornal Público de 22.01.2012
14 Janeiro 2012
O frio que vem de dentro
Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira, ao redor da qual eles se aqueciam.
Eles sabiam que, se o fogo apagasse, todos morreriam de frio, antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.
O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura.
Então raciocinou consigo mesmo: Aquele negro! - Jamais darei minha lenha para aquecer um negro. E guardou-a, protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida.
Olhou ao redor e viu um homem da montanha que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas.
Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com o seu lucro, pensou: Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso, nem pensar.
O terceiro homem era negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina.
Seu pensamento era muito prático: É bem provável que eu precise desta lenha para me defender.
Além disso, eu jamais daria da minha lenha para salvar aqueles que me oprimem. E guardou suas lenhas com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve.
Esse pensou: Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha.
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava.
Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido.
Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém, nem mesmo o menor dos gravetos.
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente apagou.
No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha.
Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse:
O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro.
* * *
O BARCO DO AVÔ - conto popular
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER
O mundo muda e as circunstâncias presentes não são definitivas. O que nunca será dispensável é a capacidade de adaptação a novas situações, que aumenta com o desenvolvimento adquirido. Da ignorância e da incompetência é que não há nada a esperar.
2. O desenvolvimento científico e técnico não é tudo. Sem afectos nada tem gosto. O primeiro de todos é o reconhecimento. Somos vida recebida. Os pais merecem-nos sempre tudo. Por outro lado, sem amigos os dias não têm cor. A realidade mais profunda dos afectos é sentir que contamos para os olhos de alguém, que somos amados. O amor tem muitas expressões e tonalidades, mas nada pode substituir a verdadeira amizade.
3. É fundamental ter projectos na vida. Não se pode escolher tudo. Importa saber optar e encontrar um sentido capaz de hierarquizar valores que nos realizem como pessoas, a nível individual, social e cultural.
4. Nada no percurso de uma existência humana está garantido à partida. Como se costuma dizer, é preciso fazer pela vida: não se deixar inebriar pelos êxitos, nem abater pelos fracassos. A sabedoria consiste em aprender com tudo o que nos vai acontecendo. O coração da sabedoria é a humildade. O diálogo com todos é o seu exercício.
5. A vida não corre sempre como desejávamos e nem sequer como a planeámos. Não é bom olhar só para o que corre mal. Se estivermos atentos teremos, normalmente, mais razões de contentamento do que de tristeza. Não nos esqueçamos de alimentar a alegria. Não nascemos para sermos derrotados. Para os altos e baixos do nosso percurso tem de haver um suplemento de alma que ajude um equilíbrio dinâmico.
6. Nada disto se alimenta só pela razão e pelo voluntarismo. A vida acontece no tecido dos dias. Uns vêm cheios de sol e outros obrigam-nos a pedir socorro.
7. O Natal não depende dos presentes, embora saibam bem. Sabe melhor quando se está mais presente aos outros e quando sentimos a sua presença, quando estreitamos laços e conseguimos profundas reconciliações.
Porque será que nos lembrámos de todas estas boas atitudes, sobretudo, no Natal? Para os cristãos, o nosso verdadeiro sol é Jesus Cristo. Poderá perguntar-se: mas quem é Ele e que fez Ele para se ter tornado insubstituível? Direi algo de muito simples: Ele encarna o Amor de Deus por todas as pessoas do mundo e oferece-lhes a energia para romper com o egoísmo. O seu nome é Emanuel, Deus connosco e nós uns com os outros. Disse-nos algo essencial e para sempre: temos casa e mesa posta no coração de Deus; nada nem ninguém poderá roubar-nos esse Amor, aconteça o que acontecer na nossa vida. Digo, por isso, que Jesus Cristo é o sentido, a beleza, a responsabilidade e o impulso vital da graça. Com ele podemos ousar lutar, ousar vencer.
Frei Bento Domingues O.P.Lisboa,
15 de Dezembro de 201
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Secularização e destino da Europa
Aí está um tema fundamental. Mas, quando se reflecte, é necessário perceber que há vários sentidos de secularização.
1. O primeiro sentido - secularização vem do latim saeculum (mundo) - tem a ver com a autonomia das realidades terrestres. A Bíblia é essencialmente dessacralizadora da natureza, da história e da política, precisamente porque a criação ex nihilo por Deus, pessoal e transcendente, criando, não por necessidade, mas livremente e por amor, implica a autonomia das criaturas.
Este sentido de secularização é particularmente importante para a política, que deve estar separada da religião. O Estado deve ser laico e não confessional. Jesus tinha dito: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mas também as ciências, a economia, a filosofia, a própria moral são autónomas, com as suas próprias leis, sem pedir legitimação à religião.
2. Há um segundo sentido de secularização. Tem a ver com aquele processo mediante o qual, concretamente na modernidade, se pretendeu realizar no mundo o Reino de Deus. A modernidade ainda era teológica, na medida em que queria, pela razão, pela ciência, pela técnica, pelo progresso ilimitado, trazer para a imanência, realizando-as, ideias religiosas da fé cristã: messias, salvação, consumação da história - o Além deveria realizar-se no aquém. Pense-se em Feuerbach, Marx, Condorcet, Bloch... O seu ateísmo era de algum modo "positivo", no sentido de que não negava Deus pura e simplesmente: o que queria era realizá-lo no mundo e na história intramundana.
3. Que sucedeu no nosso tempo? As grandes esperanças da modernidade ruíram. O "socialismo real" faliu, o progresso científico-técnico põe problemas graves, sobretudo por causa da ecologia, a razão já se não encontra divinizada, assiste-se ao fim das meta-narrativas - só há pequenas histórias, o pensamento é débil (il pensiero debole, de G. Vattimo). Assiste-se assim a uma crise geral de Deus, na medida em que a descrença parece normal - pelo menos na Europa, já não se sabe se Deus existe ou não, e reina a indiferença, numa sociedade que já é, em grande parte, pós-cristã.
Consequências: encontramo-nos cada vez mais inseguros e assiste-se ao aumento do consumo de drogas e antidepressivos. A perspectiva é cada vez mais pragmática - o que interessa é o aquém sem Além: a vida depois da morte já não parece sequer ser problema. Continua a festa do consumo, mas os europeus andam cada vez mais insatisfeitos. Não há filhos nem futuro. É a desorientação e a consumação do niilismo.
A actual situação é fruto do terceiro sentido de secularização: secularização da secularização, isto é, fim da secularização moderna e secularismo radical. Deste modo, a questão essencial é precisamente a crise dos valores e do sentido. Como viu o filósofo Georges Gusdorf, "Deus morreu, a História enlouqueceu, o Homem morreu: tudo fórmulas desesperadas que exprimem a tomada de consciência, e o ressentimento, da ausência de sentido". Não colocando sequer a questão de Deus enquanto questão, que é a questão do sentido último, a Humanidade europeia sucumbe ao imediatismo, a uma visão fragmentária do aqui e agora, sem horizonte de ultimidade. Aí está então a falta de força anímica, de projecto, de futuro. Thanatos toma conta da Europa.
Isto tem, evidentemente, repercussões também na economia e na democracia. Para quê poupar, por exemplo, e investir no futuro? Václav Havel, um dos europeus mais lúcidos do século XX, preveniu: "Pela primeira vez na História, assistimos ao desenvolvimento de uma civilização deliberadamente ateia. Deve alarmar-nos". "A transcendência é a única alternativa à extinção." E o agnóstico M. Gauchet disse: "O que ameaça a democracia, hoje, é o vazio, a futilidade, o esquecimento, a facilidade, o curto prazo, a superficialidade. As religiões, e o cristianismo em particular, têm o sentido do essencial, do trágico, do mistério da aventura humana, coisas que a democracia facilmente ignora. Elas podem ser decisivas para a democracia."
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12 Janeiro 2012
05 Janeiro 2012
O nosso Bispo em visita a terras de Vagos
Vagos 2012-01-03 18:40:00
CURA ESPIRITUAL E PSICOLÓGICA PARA QUEM SOFREU COM O ABORTO
E-mail: vinha.raquel@email.com
www.rachelsvineyard.org
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Próximo Retiro Vinha de Raquel: de 20 a 22 de Janeiro em LisboaContacto para inscrição e informações: Maria José Vilaça – 917969041 | mjvilaca@sapo.pt
Mensagem às mulheres que já abortaram
“Um pensamento especial quereria reservá-lo para vós, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto.
Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação.
A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem.”
João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae
Secretariado Defesa da Vida
Departamento da Pastoral da Família do Patriarcado
91 7354602
http://www.rachelsvineyard.org
vinha.raquel@email.com












