20 Fevereiro 2012

Conferências Quaresmais do Arciprestado de Cantanhede e Mira

Conferências Quaresmais do Arciprestado de Cantanhede e Mira

Concílio Vaticano II: Fundamentos, Perspectivas e Criatividades
…nos 50 anos da sua convocação

Local: Centro Paroquial de Cantanhede (junto aos Bombeiros Voluntários)
Hora: 21h00 (durante todas as sextas-feiras da Quaresma)
Organização: Equipa de Presbíteros do Arciprestado de Cantanhede e Mira

Dia 24 de Fevereiro
Caminhos sonhados, partilhas e itinerâncias: o contexto da convocação do Concílio e as suas implicações.
D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro
Luís Umbelino, professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Dia 2 de Março
Palavra criadora e criativa: o contexto da 'Dei Verbum'.
D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra

Dia 9 de Março
Celebrar a identidade, a memória e o projeto sonhados, partilhas e itinerância: o contexto da 'Sacrossantum Concilium'.
Luís Manuel Pereira da Silva, pároco da Sé Patriarcal de Lisboa e professor de Liturgia na Universidade Católica de Lisboa
João Norton, padre jesuíta e arquitecto

Dia 16 de Março
Igreja e Cultura, gramática para um encontro: o contexto da 'Gaudium et Spes'.
D. Manuel Clemente, bispo do Porto
António Marujo, jornalista do jornal Público

Dia 23 de Março
Igreja e comunidade, entre o templo e a(s) pessoa(s): o contexto da 'Lumen Gentium'.
Juan Ambrósio, professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa - Lisboa
José Manuel Nunes, provincial dominicano e professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa – Lisboa

Dia 30 de Março
Caminhos não andados, entre a identidade e o novo: o 'Concílio por fazer' e o que (ainda) tem de ser feito.
João Duque, professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa. Diretor do Pólo de Braga da UCP.
Isabel Allegro de Magalhães, responsável do GRAAL e professora de literatura na Universidade Nova de Lisboa
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18 Fevereiro 2012

Política e ética

por ANSELMO BORGES

 Quando se pergunta: o que é o Homem?, as tentativas de resposta foram múltiplas ao longo dos tempos. Mas lá está, essencial, a de Aristóteles: um animal que fala, que tem logos, um animal político.

O ser humano é constitutivamente um ser social. Fazemo-nos uns aos outros, genética e culturalmente. Procedemos de humanos e tornamo-nos humanos com outros seres humanos. A relação entre humanos não é algo de acrescentado ao ser humano já feito: pelo contrário, constitui-nos. A prova está nos chamados meninos-lobo: tinham a possibilidade de tornar-se humanos, mas, sem o contacto com outros humanos, não acederam à humanidade. É isso: somos humanos entre humanos e com humanos. Apesar da experiência, que também fazemos, da solidão metafísica - cada um é ele, ela, de modo único e intransferível -, não há dúvida de que só na relação nos fazemos. O individualismo atomista contradiz a humanidade que somos.

Sobre este fundo, concretizando, podemos perguntar: como poderíamos realizar a nossa humanidade, em todas as suas possibilidades, sem a cooperação de todos? Este texto, por exemplo, implica a presença de uma língua que eu não criei, um conjunto de referências culturais com que fui dialogando, foi enviado por e-mail, alguém tratou dele e o publicou e depois o distribuiu... Uma rede incalculável de relações, umas conhecidas e outras não. Se pensarmos bem, estamos unidos com todos, nesta pequena aldeia, que é o nosso planeta, incluindo os do passado, que nos permitiram chegar até onde nos encontramos, com telecomunicações, automóveis, electricidade, aviões, televisão, internet e o mundo todo das ideias e os seus debates... Até quando tomo o pequeno-almoço, penso nisso: naqueles que, lá longe, colheram o café e o transportaram e o preparam.

O que somos somo-lo na cooperação de muitos, de todos. Isto é a sociedade, no quadro de divisão de trabalhos, de carismas, de esforços em comum.

Mas, aqui, surge o busílis da questão: quem manda? É o tremendo problema do poder. Porque - não se pode ser ingénuo - onde há muita gente, alguém tem de comandar. Ora, se todos fossem bons, generosos, numa palavra, éticos, esta magna questão não seria questão, pois apenas teríamos necessidade de alguém que coordenasse os esforços, as tarefas, os carismas. Todos obedeceriam às normas, ninguém transgrediria, não haveria clientelismos nem salários escandalosos, todos procurariam o maior bem de todos. Como é sabido, de facto não é assim.

Se todos fossem éticos, não seria necessária a política no sentido estrito da palavra: tomada e organização do poder no quadro do Estado que detém o monopólio da violência. Na realidade, nos seres humanos, há bondade e maldade, alguns ou muitos são preguiçosos e querem viver à custa dos outros, há os ladrões, os corruptos e os corruptores, os violentos, e somos todos interesseiros e egoístas. E lá está a política como arte de congregar esforços para o bem comum, no quadro de leis que devem ser justas e equitativas e no sentido de harmonizar interesses, na paz possível, evitando a violência.

A política não tem por finalidade tornar os homens moralmente bons, muito menos, santos - é necessária, precisamente porque não somos éticos. Aqui, ergue-se o paradoxo: não há política ética, o que há são homens e mulheres éticos ou não na política. Como também os políticos são homens e mulheres, com virtudes e vícios, a política é um exercício complexo e sempre instável, exigindo um aperfeiçoamento constante. De facto, o que se passa, quando a política fica subordinada ao poder económico e financeiro? Ou se se der uma cartelização dos partidos?

Quando se olha para o presente estado de coisas, percebe-se que a própria democracia não é uma aquisição definitiva. Então, o que falta no meio do deserto ético? Precisamente a conversão ética, porque a multiplicação de leis e a sua sanção acabam por levar a um labirinto sem saída. Mas, desgraçadamente, as instituições mais responsáveis pela transmissão dos valores éticos estão a abrir falência: a família, a escola, a Igreja. A situação pode tornar-se explosiva.


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Tempo é dinheiro...

Januário Torgal Mendes Ferreira

"Tempo é dinheiro" diz o ditado popular, e na escola disseram-nos que o dinheiro é "o instrumento geral de troca", qualquer coisa é mercadoria e se compra ou vende e assim se faz funcionar o mercado.

Até Jesus Cristo foi vendido por 30 dinheiros! Antes disso teve ele próprio um desacato com cambistas, além da vez em que o quiseram embaraçar sem sucesso ao considerar as duas faces da moeda dizendo que devíamos dar a Deus o que é de Deus e a César o que lhe pertence. Sempre omnipresente o deus – (…)

 

Trago à memória a passagem do Evangelho do S. Lucas (capítulo 18, versículos 10-14): "Subiram dois homens ao templo para orar; um era fariseu, o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado".

Tem-se dito e repetido a propósito de uma desgraça comum: " nós não somos a Grécia ou como a Grécia" (e andamos a estudar a nossa genealogia cultural, investigando Platão e Aristóteles, Eurípedes e Homero, Xenofonte…).

Compreendo a intenção: não somos tão frágeis como os gregos nesta altura. Mas, com outra frieza crítica, a avaliação ganha o maior sentido de se apontar a dedo um inferior, sem lhe dar a mão, recusando-lhe a entreajuda da família europeia. É uma hierarquia estabelecida não por motivos de solidariedade; é uma medida higiénica de autodefesa: não somos leprosos… Defendamo-nos do contágio. E lá surge a reedição das figuras bíblicas: nós, não somos como quem está lá ao fundo; pagamos a quem nos emprestou; somos ordeiros; não gastamos o tempo nas esplanadas, nas praias, nos divertimentos noturnos. Somos de uma outra cultura. Sobretudo, de um outro porte.

E os publicanos nem sequer tempo têm para pedir socorro. Os portugueses falantes não deixam mais ninguém expressar-se. Não há defesa.

Releve-se-me o excessivo. Mas há um fariseiísmo na importância da nossa pequenez. Comparar-se com quem está caído só pode ter uma missão: o de apoiá-lo a subir na vida, com a dignidade de o vermos ultrapassar-nos! Essa era e é a cultura, vertida na belíssima oração de Paulo VI: "Pela nossa e por todas as outras Pátrias!". 

MDN – Capelania Mor, 17 de Fevereiro de 2012

Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança


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16 Fevereiro 2012

FAZEMOS PARTE DESTA FAMÍLIA - SDPJV

||Reprodução da carta da directora do SDPJV||

Caros Padres, Animadores, Catequistas e Professores,

Em pleno decorrer da IV Etapa do plano pastoral diocesano, com especial ênfase na família, fazemo-nos presentes com alguns ecos e novos desafios.
O QAHAL – Formação Inicial de Animadores Juvenis da Diocese de Aveiro, não se realizou pelo nº reduzido de inscrições que nos chegaram. Este facto levar-nos-á à reflexão sobre os eventuais motivos e a repensar a própria proposta.
O EFATHA II, com o tema “Fitas ou laços? Como vives a tua sexualidade?”, foi muito participada pelos agentes de pastoral juvenil, com um feedback muito positivo.
O tempo de Quaresma aproxima-se e este ano não há proposta de caminhada específica para este tempo, para além daquela que a liturgia deste tempo já nos propõe, com a sua riqueza própria. Foi lançada uma proposta diocesana de caminhada das famílias, com vista à vivência do Dia diocesano das famílias, a 20 de Maio.
Oficina de Comunicação (segue inscrição em anexo)
A 25 de Fevereiro, das 9h30 às 16h, no Seminário de Aveiro, iremos levar a cabo uma oficina de comunicação. O Dr. Jorge Pires Ferreira, director adjunto do Jornal diocesano “Correio do Vouga” será o formador. Deverão fazer chegar-nos as inscrições até ao dia 19 de Fevereiro.
“Mestre onde Moras?” (segue inscrição em anexo)
O sector de Promoção Vocacional do SDPJV, propõe, a 11 de Março, um encontro que pretende ajudar a percorrer um itinerário vocacional que contribua para a uma leitura da vida em chave vocacional, para jovens a partir dos 15 anos. Como agentes de pastoral juvenil olhemos à nossa volta e lancemos este convite.
Itinerário Espiritual Jovem, Páscoa 2012
De 22 a 25 de Março decorrerão os diversos momentos deste IEJ: C_Radical, Nascer de Novo, Convívio Fraterno e Faz-te ao Largo. O encerramento terá início às 21h00 do dia 25 de Março, no Centro de Artes e Espectáculos de Sever do Vouga. O número de inscrições de cada momento é limitado.
Celebração Diocesana do XXVII Dia Mundial da Juventude (seguem inscrição e flyer com o programa)
Queremos celebrar juntos este grande encontro anual da juventude católica da nossa Diocese, com todos os grupos e movimentos juvenis a partir do 10º ano, inclusive. Este ano a celebração será no Arciprestado de Águeda que recebeu este grande encontro pela última vez em 2002. Viveremos este dia na modalidade do ano passado, ou seja, com acolhimento em famílias locais, desde as 17h de sábado, 31 de Março, até às 17h de Domingo, dia 1 de Abril. Pedimos que leiam com atenção o programa e a inscrição que seguem em anexo. A data limite de inscrição é 18 de Março.
Taizé-Verão 2012 (segue inscrição em anexo)
Relançamos este ano a habitual proposta da vivência de 1 semana na comunidade de Taizé. De 24 de Agosto a 3 de Setembro, por 170 euros, com passagem pela cidade de Lyon e inscrições até 10 de Junho, fazemos este desfio à simplicidade e à comunhão.
IV FÉ’STIVAL – Festival Diocesano da Canção Mensagem 2012
A 19 de Maio de 2012, no Arciprestado de Vagos, vai ter lugar o IV Festival Diocesano da Canção Mensagem. Recebemos a inscrição de 24 bandas. Estas bandas inscritas têm de fazer a entrega dos originais a concurso até 29 de Fevereiro.
Na certeza de que nos encontraremos nestes momentos,
porque FAZEMOS PARTE DESTA FAMÍLIA,
A directora do SDPJV
Ondina Matos














«FÉ CRISTÃ E RELIGIOSIDADE POPULAR»

 

«FÉ CRISTÃ E RELIGIOSIDADE POPULAR»

- Desafios para a nova evangelização -

 Atento à necessidade formativa de todos os Agentes de Pastoral, especialmente daqueles cuja missão se desenvolve no âmbito da evangelização, o ISCRA vai dar início ao Curso Livre V, que decorrerá de

08 de Março a 10 de Maio 2012.

Desta vez o tema de estudo é sobre a Religiosidade Popular, como pano de fundo para a reflexão sobre a Fé Cristã e os desafios que daí advêm para uma nova evangelização.

Este curso terá como orientador o

Pe. Doutor Georgino Rocha, pastoralista e professor do ISCRA.

Tal como os anteriores, este curso dirige-se a todos os agentes de pastoral, de modo especial aos que se dedicam à missão evangelizadora (catequistas, animadores de jovens e adultos, equipas de liturgia, animadores bíblicos, etc.), mas está aberto também a qualquer pessoa que manifeste interesse em nele participar.

A entrada para os 8 encontros de formação, que decorrerão


à quinta-feira no Salão do Seminário Diocesano de Aveiro, às 21h, é livre e gratuita.

12 Fevereiro 2012

Deus e a pergunta final


por ANSELMO BORGES

Quatro momentos de uma reflexão sobre Deus, o Homem, o niilismo e a pergunta final.

1. Conta-se que uma vez alguém se aproximou de Buda e lhe perguntou: "Deus existe?" Buda respondeu: "Sim". Depois de comer, veio outra pessoa, que queria saber: "Deus existe?" E Buda disse: "Não, não existe." No final da tarde, uma terceira pessoa veio com a mesma pergunta: "Deus existe?" "Terás de decidir isso tu próprio", respondeu Buda. "Mestre, que absurdo!", disse um dos seus discípulos. "Como podes dar respostas diferentes à mesma pergunta?" "Porque são pessoas diferentes", respondeu o Buda, o Iluminado. "E cada uma delas aproximar-se-á de Deus à sua maneira: através da certeza, da negação e da dúvida."

2. No ano de 1796, Jean Paul escreveu um dos textos mais sublimes e ao mesmo tempo mais terríveis da grande literatura alemã:
Rede des toten Christus vom Welgebäude herab, dass kein Gott sei (Discurso do Cristo morto, desde o cume do mundo, sobre a não existência de Deus).
Nele, o grande escritor descreve um sonho. Pela meia noite e em pleno cemitério, numa visão apavorante, o olhar estende-se até aos confins da noite cósmica esvaziada, os túmulos estão abertos, e, num universo que se abala, as sombras voláteis dos mortos estremecem, aguardando, aparentemente, a ressurreição. É então que, a partir do alto, surge Cristo, uma figura eminentemente nobre e arrasada por uma dor sem nome. E, com um terrível pressentimento, "os mortos todos gritam-lhe: 'Cristo, não há Deus?' Ele respondeu: 'Não, não há Deus.' Então, a sombra de cada morto estremeceu, e umas a seguir às outras desconjuntaram-se. E Cristo continuou, anunciando o que aconteceu no instante da sua própria morte: 'Atravessei os mundos, subi até aos sóis, voei com as galáxias através dos desertos do céu; e não há Deus. Desci até onde o ser estende as suas sombras, e olhei para o abismo, gritando: 'Pai, onde estás?' Mas apenas ouvi a tormenta eterna, que ninguém governa". Quando, no espaço incomensurável, procurou o olhar divino, não o encontrou; apenas o cosmos infindo o fixou petrificado "com uma órbita ocular vazia e sem fundo, e a eternidade jazia sobre o caos e roía-o e ruminava-se". O coração rebentou de dor, quando as crianças sepultadas no cemitério se lançaram para Cristo, perguntando: 'Jesus, não temos Pai?' E ele, debulhado em lágrimas, respondeu: 'Somos todos órfãos, eu e vós, não temos Pai'. "Nada imóvel, petrificado e mudo! Necessidade fria e eterna! Acaso louco e absurdo! Como estamos todos tão sós na tumba ilimitada do universo! Eu estou apenas junto de mim. Ó Pai, ó Pai! Onde está o teu peito infinito, para descansar nele? Ah! Se cada eu é o seu próprio criador e pai, porque é que não há-de poder ser também o seu próprio exterminador?"
Para Jean Paul, a morte de Deus não é ainda um destino espiritual inevitável, mas apenas a tentação de uma possibilidade ameaçadora, contra a qual quer prevenir. Quando acordou do pesadelo ateu, a sua alma "chorava de alegria, por poder de novo adorar a Deus - e a alegria e o choro e a fé nele era a oração".

3. Um século depois (1882), o louco de Nietzsche proclamou a morte de Deus: "O louco saltou para o meio deles e trespassou-os com o olhar. 'Quem vos vai dizer o que é feito de Deus sou eu', gritou! "Quem o matou fomos todos nós, vós mesmos e eu!"
"Nunca existiu acto mais grandioso." Mas, ao mesmo tempo, Nietzsche não se mostra completamente eufórico. "Para onde vamos nós, agora? Não estaremos a precipitar-nos para todo o sempre? Não andaremos errantes através de um nada infinito? Não estará a ser noite para todo o sempre, e cada vez mais noite?"

4. O filósofo Gilles Lipovetsky escreveu, comentando, que Deus morreu e os homens não estão preocupados com isso. Mas outro filósofo, Leszek Kolakowski, disse que desde então nunca mais houve ateus serenos.

Lá está, pelo menos, a pergunta dos versos de H. Heine: "E continuamos perguntando,/uma e outra vez,/até que um punhado de terra/nos cale a boca./Mas isto é uma resposta?"
in DN

10 Fevereiro 2012

Fátima, 18 de Maio de 2012 - 1.ºciclo - interescolas


Inter escolas 1.º Ciclo





Programa

09.30h - Acolhimento
* CENTRO PAULO VI
11.30h - Celebração
*IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
13.00h - Almoço (pic-nic)
14.30h - Animação Cultural
*Centro Pastoral Paulo VI
* Musical Infantil: “O Feitiço da lua”
pelo grupo de Teatro “Espelho Magico”
16.30h - Despedida


Pretendemos


1. Valorizar a importância da EMRC na formação
integral da pessoa.
2. Motivar as crianças a viver o Amor na família e na
escola.
3. Celebrar o Amor de Jesus.
4. Aprender com Maria o valor do Sim.



José, Maria e Jesus:
Família exemplo de Amor,
Alegria e muita Harmonia.
Nós crianças, amando as nossas famílias,
Acolhemos Jesus em nossos corações.
Caminhamos com muita Alegria

Ao encontro da família de Nazaré.

Aprendemos neste presépio
A vida que queremos viver
E somos pedacinhos de Amor
No Universo a crescer.
Anabela Nobre




Deus não cabe nas nossas fronteiras


Não podes fazer Deus católico, Deus está para lá das fronteiras e delimitações que construímos. Ele não se deixa dominar nem domesticar.
Card. Carlo Maria Martini

09 Fevereiro 2012

Encontro de Quaresma - Sábado 25 Fev 2012 | CUFC



Encontro de Quaresma.

Participação aberta....


Será no dia 25 de fevereiro, no CUFC. A reflexão da manhã, entre as 9h30m e as 12h30, será orientada pelo P GonçaloCastro Fonseca S.J. que nos vem ajudar a reflectir sobre “Formar a Consciência”. Como de costume, está aberto a todos os professores cristãos que queiram participar.





De tarde, entre as 14h e as 15h30,só para os professores de EMRC, teremos uma pequena reunião com a seguinteordem de trabalhos:

1 – Notíciasdo SNEC e do SDERE
2 –Inter-Escolas Diocesano
3 –Caminhada e Festa da Família
4 –Preparação do Jubileu da Diocese (já enviei projeto por mail)
5 –Actividades organizadas pelo ISCRA
6 –Outros assuntos

31 Janeiro 2012

Os fantásticos livros voadores

Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore, de William Joyce e Brandon Oldenburg 

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore from Moonbot Studios on Vimeo.

II SIMPÓSIO FÉ E CULTURA | «A Família ainda tem futuro?» | 3 de Março 2012


Formação EMRC Fátima - Identidade e Liderança



Juan Ambrosio, da Universidade Católica de Lisboa (UCP) lembrou a necessidade de não “fugir da reflexão essencial que deve estar na identidade da disciplina e não em questões importantes mas laterais”.
Na manhã de domingo os docentes presentes na Formação sobre a Liderança na EMRC refletiram sobre os “desafios que se levantam à disciplina de EMRC”.
Na ocasião Juan Ambrosio começou por abordar a questão do Ensino Religioso Escolar (ERE) e da sua presença “no sistema educativo português através da EMRC”. Para Juan Ambrosio o “termo ERE pode ter uma leitura ambígua e por isso é necessário situar a EMRC como uma concretização possível do ERE, mas não a única”.
De seguida o docente da UCP de lisboa problematizou a “sigla utilizada nesta concretização no ensino em Portugal” afirmando-a como ambígua e questionando sobre o seu fundamento: “Estamos na escola para ensinar a religião católica ou estamos na escola para, a partir da mundividência cristã, mostrarmos a religião católica?”. Para Juan Ambrosio é claro que o primeiro objetivo de EMRC é “contribuir para a construção da comunidade humana” uma vez que essa é a “primeira finalidade da escola.”
Na segunda parte da sua intervenção o investigador da UCP problematizou a questão “da memória” a lembrou que “mesmo que eu faça a opção de não ser crente tenho que estudar o fenómeno religioso porque ele está na minha própria génese”. Para Juan Ambrosio torna-se necessário “apontar o religioso como chave de cosmovisão. Do religioso como inspirador da ação. Do religioso como construtor da sociedade da história. Do religioso como dimensão da realidade”. Para isso é necessário “desenvolver a dimensão religiosa” nos alunos como “o afirmar da totalidade da identidade da pessoa. A EMRC deve ser uma chave de análise e interpretação da realidade”, procurando promover “a interioridade e espiritualidade” e desenvolver “a sensibilidade religiosa, os conteúdos religiosos, a linguagem religiosa e o comportamento religioso”.
No final da sua intervenção Juan Ambrosio, depois de ter feito uma análise de vários documentos sobre a identidade da disciplina, apelou a “um repensar do nosso programa, manuais e avaliação” tendo a noção de que “ aquilo que muitas vezes parece ser o urgente não pode eclipsar o mais básico e importante que é a identidade da disciplina”.
A formação termina nesta tarde de domingo com trabalho de grupos com vista á obtenção de créditos. Durante três dias mais de 100 professores de EMRC, de todas as dioceses do país, estiveram em Fátima a fazer formação sobre Liderança. Nas redes sociais mais de 250 docentes seguiram os trabalhos em Fátima. A partir da tarde do dia de hoje [domingo] vai ser possível visionar as conferências em http://www.educris.com/v2/tv/

mais em
http://www.educris.com/v2/emrc/1356-formacao-e-urgente-uma-reflexao-profunda-sobre-a-identidade-da-disciplina

30 Janeiro 2012

Concurso «Que bom é ter uma Família!».

Em sintonia com o Plano de Pastoral definido para a Diocese de Aveiro, para o ano 2011-2012, cujo lema é «A Família Confirma a Esperança», o ISCRA, em parceria com os Secretariados Diocesanos da Catequese de Infância e Adolescência, do Ensino Religioso Escolar e da Pastoral Familiar e, ainda, com a Comissão Diocesana da Cultura, lançou o Concurso «Que bom é ter uma Família!».
 
O objectivo deste Concurso é ir ao encontro dos jovens, em idade escolar e em catequese, para os provocar na reflexão sobre a Família e os motivar na elaboração de um designe que dê origem a uma medalha e a um slogan que servirão como símbolos comemorativos deste ano pastoral. Todos são convidados a participar neste desafio.




REGULAMENTO
APRESENTAÇÃO O ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro) em sintonia com o Plano Diocesano de Pastoral que, no ano em curso, é dedicado à Família, abre este Concurso como instrumento de evangelização dos mais jovens e de estímulo ao seu compromisso eclesial. ARTIGO 1º O ISCRA promove um Concurso sob o título QUE BOM É TER UMA FAMÍLIA!, nos termos e condições deste Regulamento. ARTIGO 2º
1.O Concurso QUE BOM É TER UMA FAMÍLIA! será designado simplesmente por “Concurso”.
2.Pretende este Concurso criar um logótipo e um slogan para a medalha comemorativa do ano da família.
3.Trata-se de dois concursos sobre o mesmo tema. Um sobre a elaboração de um logótipo que servirá de modelo para a elaboração do grafismo da Medalha comemorativa do Ano da Família, outro sobre o slogan a transcrever na medalha, acompanhando o logótipo. ARTIGO 3º
1.Podem concorrer crianças e jovens que se encontrem a frequentar a escola e/ou a catequese (entre o 9º e o 12º ano).
2.Podem concorrer a título individual ou em grupo até ao máximo de 3 elementos. ARTIGO 4º
1.A inscrição individual ou de grupo será formalizada através do preenchimento do respectivo formulário que se encontrará on-line no site do ISCRA (www.iscra.pt).
2.Este formulário deve ser impresso e entregue juntamente com o logótipo ou o slogan a submeter a concurso.
3.Os itens da ficha são os seguintes:
a)Identificação do concorrente ou concorrentes (grupo) (Nome/ Morada/ Telefone/ Telemóvel/ E-mail, ano de catequese e de matrícula escolar).
b)Se o concorrente tiver sido acompanhado por um catequista ou um docente deverá registar a sua identificação nos mesmos termos da alínea anterior. ARTIGO 5º A ficha de inscrição, atrás referida, deverá vir assinada pelo concorrente e o catequista ou o docente (estes últimos apenas se corresponderem ao referido no art. 3, alínea b). ARTIGO 6º A falta de qualquer uma das indicações requeridas nos artigos anteriores determina a exclusão do concurso. ARTIGO 7º Não serão admitidos a concurso trabalhos que não sejam originais. ARTIGO 8º Cada indivíduo ou grupo concorrente só poderá apresentar um trabalho. ARTIGO 9º
1.Os trabalhos a concurso versarão sobre o tema da Família.
2.Não serão aceites trabalhos sobre qualquer outra temática. ARTIGO 10º Os trabalhos deverão cumprir os seguintes requisitos:
a)O texto do slogan será redigido em língua portuguesa, numa frase breve.
b)O logótipo será estilizado, a preto e branco, pois a Medalha será feita em baixo relevo.
c)Os originais deverão ser remetidos, em correio registado, para a secretaria do ISCRA, sita na Av. de João Jacinto de Magalhães - Edifício do Seminário de Santa Joana Princesa - Apt.º 323 – 3811-905 AVEIRO, podendo, ainda, ser entregues pessoalmente na mesma secretaria, dentro do horário de funcionamento dos serviços. ARTIGO 11º O melhor logótipo e o melhor slogan servirão para a composição da Medalha comemorativa da fase pastoral dedicada à família . ARTIGO 12º As etapas do concurso são as seguintes 1ª etapa – divulgação e informações (de Setembro a 15 de Novembro de 2011) 2ª etapa – entrega dos trabalhos dos concorrentes (até 10 de Março de 2012) 3ª etapa – reunião do júri e deliberação (até 30 de Março de 2012) 4ª etapa – anúncio dos vencedores – melhor slogan e melhor logótipo (Semana da Vida - 15 de Maio) e apresentação oficial da medalha e do slogan vencedores. ARTIGO 13º
1.A escolha do vencedor será da responsabilidade de um Júri constituído para o efeito.
2.O Júri é composto por três elementos, um dos quais é um membro da Direcção do ISCRA, cabendo-lhe presidir ao Júri.
3.O Júri é autónomo e competente para deliberar sobre a classificação dos trabalhos.
4.Compete ao Júri, de forma exclusiva, a definição do seu modo de funcionamento, obrigando-se, no entanto, a cumprir os termos deste regulamento.
5.As deliberações do Júri são definitivas, delas não cabendo qualquer espécie de recurso.
6.O júri poderá não reconhecer qualquer vencedor, caso considere que os trabalhos apresentados não reúnem condições de qualidade que o justifiquem.
7.No processo de avaliação dos trabalhos, o Júri utilizará como critérios fundamentais os seguintes: a BELEZA do logótipo e a sua ADEQUAÇÃO ao tema. A ESTÉTICA literária do slogan e a sua ADEQUAÇÃO ao tema ARTIGO 14º
1.Os resultados do Concurso serão disponibilizados no site do ISCRA.
2.O vencedor ou vencedores serão devidamente notificados. ARTIGO 15º Exposição dos trabalhos a concurso – Todos os trabalhos a Concurso serão exposto nas instalações do ISCRA no decurso da Semana da Vida. ARTIGO 16º Os casos omissos ou as divergências na interpretação do presente Regulamento serão solucionados pelo Júri.

Parcerias
Secretariados Diocesanos:
• Da Catequese de Infância e Adolescência
• Do Ensino Religioso Escolar
• Da Pastoral Familiar Comissão Diocesana da Cultura

Apoio
Correio do Vouga



28 Janeiro 2012

Educris

Tudo o que precisas sobre emrc e a Igreja

www.educris.com

27 Janeiro 2012

Emrc em formação

Saber liderar, saber estar, saber orientar...

Reunidos cerca de 90 professores de emrc em Fátima para receber formação sobre a descoberta de novos caminhos e assumir a nossa vocação e missão. A Diocese de Aveiro participa com 5 participantes.

Bem haja a este projecto.

22 Janeiro 2012

QUE FAZER PARA VENCER A CRISE?


QUE FAZER PARA VENCER A CRISE?
Frei Bento Domingues, O.P.

1. Face à desesperante situação de crise actual, pergunta-se com frequência: que podem fazer as religiões, os cristãos, os católicos? Não se dispondo de nenhuma resposta pronta a servir, essa questão obriga-nos a renovar a ética da escuta multilateral. Além do clamor dos pobres e empobrecidos, existem, também, estudos e debates, pró e contra, sobre o papel da religião na esfera pública.  [i]
O pensamento liberal surgiu a fundamentar a resposta dada às cruentas guerras de religião que assolaram a Europa no século XVII. Ideias como tolerância, separação entre poder terreno e espiritual, liberdade de religião, foram cimentando um projecto teórico que fazia do respeito pelos direitos naturais e a consciência do indivíduo, a base da convivência social e o único modo de conseguir a paz.
Hoje, continua a polémica entre os defensores da tradição liberal, que tendem a situar a religião no âmbito da privacidade - restringindo, na medida do possível, a sua influência na esfera pública – e os autores que procuram reabilitar o papel da religião, nesse contexto. É impossível desenvolver aqui os argumentos e as teses principais que se defrontam. Prefiro a posição de Habermas: os grupos que constituem a sociedade civil, entre os quais se encontram as igrejas, têm como missão fazer chegar ao domínio institucional os problemas da sociedade, para que este lhes dê solução.
Não está encerrada a filosofia da história que pretendia que o progresso acabaria com a religião. Com o passar do tempo, foi revalorizada a importância das motivações e funções sociais da religião, que nenhuma ética racional pode substituir. No entanto, a religião tende a ocupar um lugar residual e periférico, provisório e constantemente ameaçado pela ciência e pelo pensamento filosófico, grandes instâncias da modernidade.
2. Segundo os textos do Novo Testamento, Jesus nunca pretendeu a confessionalidade do Estado. Ficou célebre, e é muito repetida, a sentença «dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César». Também seria difícil encontrar, na boca de Jesus, um programa de governo que se ocupasse, tecnicamente, da agricultura, das pescas, da indústria, do comércio, da saúde e da assistência, etc., ou que fornecesse indicações acerca da organização de um partido ou de um sindicato. No entanto, a sua intervenção foi pública e, sem desenhar alternativas em qualquer desses sectores da vida em sociedade, pôs tudo em causa a partir de um questionamento no campo da religião oficial: «O sábado foi feito para o ser humano e não o ser humano para o sábado» (Mc. 2, 27). Formulou, assim, uma religião humanista. O Deus com quem Jesus vive impele-o a servir os seres humanos. A rivalidade entre o humano e o divino foi destruída. O próprio Jesus é chamado o Emmanuel, o Deus connosco. Jesus deixa todo o espaço livre para a invenção e alteração das sociedades. Só há um absoluto: que tudo seja colocado ao serviço dos seres humanos e eles se coloquem ao serviço uns dos outros. Quais poderão ser as consequências para enfrentar agora a crise do País, da Europa, do Mundo?
A resposta não está pronta em nenhuma página dos Evangelhos. Os cristãos terão de encontrar, em cada época e em cada cultura, a resposta mais adequada, sem garantias divinas. Cada um andará com Deus por sua conta e risco.
3. Os católicos dispõem da chamada Doutrina Social da Igreja que recolhe o ensino dos Papas, desde Leão XIII até Bento XVI, passando pelo Vaticano II e por um conjunto de pensadores do social, como lhes chama e apresenta Yves Calvez.
Que fazer com esse conjunto doutrinal e com todas as experiências no mundo do trabalho e da investigação? Não seria desejável pensar em governos e partidos católicos, como governos e partidos confessionais. Não adianta imitar os países muçulmanos. Na Igreja Católica existe a liberdade de escolha política e democracia, pouco respeitada nas suas instituições, mas vivamente recomendada na sociedade. Os limites são de carácter ético em questões extremas.
Dir-se-á que os resultados práticos não são muito brilhantes. Cada pessoa e cada grupo tende a chamar para as suas opções o patrocínio dessa importante doutrina social. Parece que há textos para todos os gostos e cada um poderá fazer com eles o que bem entender. Bendita liberdade, mas talvez se possa conversar sobre isso. A partir do Vaticano II foi promovido o diálogo inter-religioso, foi intensificado o diálogo ecuménico e enquanto Igreja no mundo contemporâneo é constantemente impelida a fazer a leitura dos sinais dos tempos. Temos de nos regozijar com esses frutos do Vaticano II. Mas apetece-me perguntar: para quando o diálogo entre movimentos católicos,  paróquias e dioceses, a nível local e nacional, sobre formas concretas de vencer esta crise que torna o presente doloroso e não abre o futuro? Se todos nós somos igreja, se somos confrontados com os ensinamentos da sua doutrina social, é preciso testá-la, com o contributo de todos, perante os desafios desta conjuntura.
Há muita coisa a fazer para vencer a crise. Não esqueçamos esta.




1 Jürgen Habermas, Charles Taylor, e outros, El Poder de la religión en la esfera pública, Trotta, Madrid, 2009; Pedro Jesús Pérez Zafrilla, Aproximación a la controversia entre defensores y detractores de la religión en la vida pública, Estudios Filosóficos  LX (2001) 293-310; Juan Antonio Estrada, Por una ética sin teología, Trotta, Madrid, 2004
                                                                                                         
in Jornal Público de 22.01.2012

14 Janeiro 2012

O frio que vem de dentro

Conta-se que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma avalanche de neve.
 Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira, ao redor da qual eles se aqueciam.
 Eles sabiam que, se o fogo apagasse, todos morreriam de frio, antes que o dia clareasse.
 Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.
 O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura.
 Então raciocinou consigo mesmo: Aquele negro! - Jamais darei minha lenha para aquecer um negro. E guardou-a, protegendo-a dos olhares dos demais.
 O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida.
 Olhou ao redor e viu um homem da montanha que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas.
 Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com o seu lucro, pensou: Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso, nem pensar.
 O terceiro homem era negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina.
 Seu pensamento era muito prático: É bem provável que eu precise desta lenha para me defender.
 Além disso, eu jamais daria da minha lenha para salvar aqueles que me oprimem. E guardou suas lenhas com cuidado.
 O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve.
 Esse pensou: Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha.
 O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava.
 Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
 O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido.
 Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém, nem mesmo o menor dos gravetos.
 Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente apagou.
 No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha.
 Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse:
 O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro.

* * * 

O BARCO DO AVÔ - conto popular


O BARCO DO AVÔ
Conto Popular
 
 
Marisa vivia com amãe e o avô numa casita com vista para o mar.
O avô era pescador e navegava no seu barquito, que tinha uma vela castanha, pelas águas do porto.
Umas vezes, o avô pescava perto da costa e Marisa gostava de ver o barquito serpentear por entre as rochas e as enseadas da baía. Noutras, partia ao cair da noite e então Marisa ficava a ver o barco embrenhar-se no vermelho dourado do crepúsculo. A seguir ia para a cama, satisfeita por saber que, quando o Sol despertasse por detrás dos montes, veria a vela castanha regressar à luz ténue da aurora.
Quando isso acontecia, Marisa e a mãe desciam até à ponta do molhe para se despedirem dele com grandes acenos, e o barco, levado pelo movimento da maré, mergulhava na neblina do horizonte, parecendo afundar-se naquela imensidão de onde apenas emergia a ponta do seu mastro.
Depois, quando o próprio mastro desaparecia, Maria e a mãe ficavam completamente sós.
— Ele vai voltar — prometia-lhe sempre a mãe. Por vezes, Marisa até sabia em que maré ele iria regressar, e nessas alturas corria para o cimo do monte que ficava por detrás da casa e não tirava os olhos do mar até a ponta do mastro surgir no horizonte.
— Vem aí o avô, vem aí o avô! — gritava entusiasmada.
Então, ela e a mãe corriam para a ponta do molhe para acenarem para o barco cuja vela castanha se agitava cada vez mais perto até que, por fim, tornavam a ver a cara sorridente do avô.
Também havia alturas em que os dias passavam sem ele voltar, o que deixava a mãe de Marisa muito preocupada:
— Estamos na época das tempestades — explicava então Marisa — e o avô pode ainda demorar sabe-se lá quanto tempo.
No entanto, continuava à espera de o ver regressar.
— Se a viagem foi perigosa, o avô ainda estará mais ansioso por nos ver — dizia.
Marisa aprendeu a reconhecer quando a maré estava alta, pois era a altura mais propícia para o barco entrar no porto. Era então que ia à procura dele.
Chegava a passar uma semana à espera ou mesmo duas... mas acontecia sempre o mastro aparecer e o avô voltar.
— Às vezes desejo que o avô não saia para o mar para não nos deixar sozinhas — disse-lhe Marisa após uma viagem que tinha durado vários dias.
          — Vou fazer-te a vontade — suspirou o velho. — Já não sou tão forte como era dantes e por isso não me atrevo a ir para tão longe como costumava. A partir de agora não me afastarei muito... ando de cá para lá e de lá para cá durante o dia, enquanto a maré me ajudar.
De início, Marisa ficou satisfeita porque assim tinha mais tempo para estar com o avô. Porém, começou a reparar que, de dia para dia, ele estava cada vez mais frágil e debilitado, e quase já não saía de casa.
— O avô já não vai para o mar? — perguntou Marisa ansiosamente.
— O único barco em que eu agora irei navegar é o que me levará para o outro mundo — respondeu o avô a sorrir.
Marisa suplicou-lhe:
— Não vá! Nunca vá para lá! — disse-lhe a chorar.
— Essa é a viagem para que eu sempre vivi — retorquiu-lhe serenamente o avô. — Explorei tudo o que me apeteceu neste mundo e agora anseio por descobrir o outro.
Pouco tempo depois o avô de Marisa morreu. O sino da igreja da vila repicou solenemente quando o enterraram no cemitério que dava para o mar.
— Adeus, avô — sussurrou Marisa à terra escura.
A seguir correu sozinha para a ponta do molhe.
— Adeus, avô — gritou à maré que baixava rapidamente. — Adeus, adeus.
As águas foram-se afastando da costa e ela permaneceu à espera, tanto tempo quanto o barco do avô costumava levar até desaparecer no horizonte longínquo. Entretanto, chegou a mãe que se sentou a seu lado.
— Já não o podemos ver — disse tristemente a mãe. — Mas creio que numa costa distante, numa outra terra, haverá alguém que o estará a ver chegar.
 
 
 
 
 
Lois Rock (org.)
Contos e Lendas da tradição cristã
Lisboa, Editorial Verbo, 2006

OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER

1. Os jovens têm a vida toda pela frente. Não a aproveitando, vão ter cada vez menos hipóteses de êxito. Diante de tantas dificuldades, muitos serão tentados a desistir, ainda antes de lutar. Uns abandonam os estudos porque não vêm em quem os concluiu uma recompensa adequada a tanto esforço e privação. Embora seja uma reacção compreensível, talvez não seja uma boa solução.
O mundo muda e as circunstâncias presentes não são definitivas. O que nunca será dispensável é a capacidade de adaptação a novas situações, que aumenta com o desenvolvimento adquirido. Da ignorância e da incompetência é que não há nada a esperar.

2. O desenvolvimento científico e técnico não é tudo. Sem afectos nada tem gosto. O primeiro de todos é o reconhecimento. Somos vida recebida. Os pais merecem-nos sempre tudo. Por outro lado, sem amigos os dias não têm cor. A realidade mais profunda dos afectos é sentir que contamos para os olhos de alguém, que somos amados. O amor tem muitas expressões e tonalidades, mas nada pode substituir a verdadeira amizade.

3. É fundamental ter projectos na vida. Não se pode escolher tudo. Importa saber optar e encontrar um sentido capaz de hierarquizar valores que nos realizem como pessoas, a nível individual, social e cultural.

4. Nada no percurso de uma existência humana está garantido à partida. Como se costuma dizer, é preciso fazer pela vida: não se deixar inebriar pelos êxitos, nem abater pelos fracassos. A sabedoria consiste em aprender com tudo o que nos vai acontecendo. O coração da sabedoria é a humildade. O diálogo com todos é o seu exercício.

5. A vida não corre sempre como desejávamos e nem sequer como a planeámos. Não é bom olhar só para o que corre mal. Se estivermos atentos teremos, normalmente, mais razões de contentamento do que de tristeza. Não nos esqueçamos de alimentar a alegria. Não nascemos para sermos derrotados. Para os altos e baixos do nosso percurso tem de haver um suplemento de alma que ajude um equilíbrio dinâmico.

6. Nada disto se alimenta só pela razão e pelo voluntarismo. A vida acontece no tecido dos dias. Uns vêm cheios de sol e outros obrigam-nos a pedir socorro.

7. O Natal não depende dos presentes, embora saibam bem. Sabe melhor quando se está mais presente aos outros e quando sentimos a sua presença, quando estreitamos laços e conseguimos profundas reconciliações.
Porque será que nos lembrámos de todas estas boas atitudes, sobretudo, no Natal? Para os cristãos, o nosso verdadeiro sol é Jesus Cristo. Poderá perguntar-se: mas quem é Ele e que fez Ele para se ter tornado insubstituível? Direi algo de muito simples: Ele encarna o Amor de Deus por todas as pessoas do mundo e oferece-lhes a energia para romper com o egoísmo. O seu nome é Emanuel, Deus connosco e nós uns com os outros. Disse-nos algo essencial e para sempre: temos casa e mesa posta no coração de Deus; nada nem ninguém poderá roubar-nos esse Amor, aconteça o que acontecer na nossa vida. Digo, por isso, que Jesus Cristo é o sentido, a beleza, a responsabilidade e o impulso vital da graça. Com ele podemos ousar lutar, ousar vencer.

Frei Bento Domingues O.P.Lisboa,

15 de Dezembro de 201
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Secularização e destino da Europa

por ANSELMO BORGES, PADRE E PROFESSOR DE FILOSOFIA Hoje  Comentar 

Aí está um tema fundamental. Mas, quando se reflecte, é necessário perceber que há vários sentidos de secularização.

1. O primeiro sentido - secularização vem do latim saeculum (mundo) - tem a ver com a autonomia das realidades terrestres. A Bíblia é essencialmente dessacralizadora da natureza, da história e da política, precisamente porque a criação ex nihilo por Deus, pessoal e transcendente, criando, não por necessidade, mas livremente e por amor, implica a autonomia das criaturas.

Este sentido de secularização é particularmente importante para a política, que deve estar separada da religião. O Estado deve ser laico e não confessional. Jesus tinha dito: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mas também as ciências, a economia, a filosofia, a própria moral são autónomas, com as suas próprias leis, sem pedir legitimação à religião.

2. Há um segundo sentido de secularização. Tem a ver com aquele processo mediante o qual, concretamente na modernidade, se pretendeu realizar no mundo o Reino de Deus. A modernidade ainda era teológica, na medida em que queria, pela razão, pela ciência, pela técnica, pelo progresso ilimitado, trazer para a imanência, realizando-as, ideias religiosas da fé cristã: messias, salvação, consumação da história - o Além deveria realizar-se no aquém. Pense-se em Feuerbach, Marx, Condorcet, Bloch... O seu ateísmo era de algum modo "positivo", no sentido de que não negava Deus pura e simplesmente: o que queria era realizá-lo no mundo e na história intramundana.

3. Que sucedeu no nosso tempo? As grandes esperanças da modernidade ruíram. O "socialismo real" faliu, o progresso científico-técnico põe problemas graves, sobretudo por causa da ecologia, a razão já se não encontra divinizada, assiste-se ao fim das meta-narrativas - só há pequenas histórias, o pensamento é débil (il pensiero debole, de G. Vattimo). Assiste-se assim a uma crise geral de Deus, na medida em que a descrença parece normal - pelo menos na Europa, já não se sabe se Deus existe ou não, e reina a indiferença, numa sociedade que já é, em grande parte, pós-cristã.

Consequências: encontramo-nos cada vez mais inseguros e assiste-se ao aumento do consumo de drogas e antidepressivos. A perspectiva é cada vez mais pragmática - o que interessa é o aquém sem Além: a vida depois da morte já não parece sequer ser problema. Continua a festa do consumo, mas os europeus andam cada vez mais insatisfeitos. Não há filhos nem futuro. É a desorientação e a consumação do niilismo.

A actual situação é fruto do terceiro sentido de secularização: secularização da secularização, isto é, fim da secularização moderna e secularismo radical. Deste modo, a questão essencial é precisamente a crise dos valores e do sentido. Como viu o filósofo Georges Gusdorf, "Deus morreu, a História enlouqueceu, o Homem morreu: tudo fórmulas desesperadas que exprimem a tomada de consciência, e o ressentimento, da ausência de sentido". Não colocando sequer a questão de Deus enquanto questão, que é a questão do sentido último, a Humanidade europeia sucumbe ao imediatismo, a uma visão fragmentária do aqui e agora, sem horizonte de ultimidade. Aí está então a falta de força anímica, de projecto, de futuro. Thanatos toma conta da Europa.

Isto tem, evidentemente, repercussões também na economia e na democracia. Para quê poupar, por exemplo, e investir no futuro? Václav Havel, um dos europeus mais lúcidos do século XX, preveniu: "Pela primeira vez na História, assistimos ao desenvolvimento de uma civilização deliberadamente ateia. Deve alarmar-nos". "A transcendência é a única alternativa à extinção." E o agnóstico M. Gauchet disse: "O que ameaça a democracia, hoje, é o vazio, a futilidade, o esquecimento, a facilidade, o curto prazo, a superficialidade. As religiões, e o cristianismo em particular, têm o sentido do essencial, do trágico, do mistério da aventura humana, coisas que a democracia facilmente ignora. Elas podem ser decisivas para a democracia."

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12 Janeiro 2012

05 Janeiro 2012

O nosso Bispo em visita a terras de Vagos



Vagos 2012-01-03 18:40:00
O Bispo de Aveiro inicia, na próxima quarta-feira, dia 11, às 20h00, na Igreja da Gafanha da Boa Hora, uma visita de cinco meses ao arciprestado de Vagos. Do roteiro pastoral constam contactos com vários sectores, desde escolas, instituições de solidariedade social, encontros para "aprofundar e acelerar" a intenção de construir uma igreja na praia da Vagueira e até visitas a empresas.
D. António Francisco Santos considera que este será um momento importante de contacto com as populações. “A visita pastoral é um das formas confirmada pela experiência dos séculos com a qual o Bispo mantém contato pessoal e presença mais prolongada com o clero e o povo de Deus. É oportunidade de chamar os fiéis à renovação da vida cristã e uma atividade apostólica e missionária mais intensa. Permite avaliar a eficiência das estruturas da ação pastoral. Dando conta das dificuldades e conhecendo os caminhos de evangelização para definir prioridades e os meios da ação pastoral”.
Durante os próximos meses haverá três palestras com a coordenadora nacional da catequese Cristina Carvalho, o ex-ministro Bagão Félix e Roberto Carneiro, nos dias 10 de Fevereiro, 9 de Março e 20 de abril, sempre às 21h00, no salão paroquial de Vagos. No dia 20 de Maio terá lugar uma festa da família no Colégio de Calvão. O encerramento será a 28 de Maio, com a tradicional Eucaristia no Santuário de Nossa Sra. de Vagos.
in terranova.pt

CURA ESPIRITUAL E PSICOLÓGICA PARA QUEM SOFREU COM O ABORTO





SOBRE A VINHA DE RAQUEL:

A Vinha de Raquel é uma obra que visa o acompanhamento e apoio Espiritual e Psicológico a quem sofre por ter passado pela dor do aborto. No Retiro da Vinha de Raquel vive-se uma partilha espiritual centrada na pessoa de Jesus Cristo, no acolhimento do Perdão de Deus, na Sua compaixão e Misericórdia. Trabalha-se a dimensão psicológica para ajudar a lidar com a dor, a angústia e o desgosto reprimido por um luto adiado.

Esta foi a mensagem de Madre Teresa de Calcutá para a Vinha de Raquel:

“O Próprio Jesus disse que vinha para chamar os pecadores e não os justos. Rezo para que todo aquele que participe na Vinha de Raquel com profundo desejo de ser livre e curado por Jesus possa encontrá-lo a Ele, fonte da verdadeira alegria, paz e amor e permita que Deus o restabeleça na paz interior e na alegria. Rezo muito por vós. Que Deus vos abençoe.”

Para mais informações sobre os Retiros:
Telm. 917354602 (Maria José Vilaça)
E-mail: vinha.raquel@email.com
www.rachelsvineyard.org 







Descrição:
                                                  part1.08040007.03010904@email.com


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Próximo Retiro Vinha de Raquel: de 20 a 22 de Janeiro em Lisboa
Contacto para inscrição e informações: Maria José Vilaça – 917969041 | mjvilaca@sapo.pt





Mensagem às mulheres que já abortaram
“Um pensamento especial quereria reservá-lo para vós, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto.

Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação.

A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem.”


João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae



 Secretariado Defesa da Vida
 Departamento da Pastoral da Família do Patriarcado

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